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Estudando em casa, alunos do ensino médio precisam readaptar rotinas para não perder o ritmo

 

Manter uma rotina de estudos em casa já era recomendado para os jovens em idade escolar. Agora, com a suspensão das aulas presenciais, a sugestão tornou-se fundamental para os estudantes que se encontram em situação de isolamento. Organizar os horários e criar um plano de estudos conciliados à rotina da casa pode ser um desafio para alguns. Para Victor Alysson, 15 anos, ter disciplina é a chave.

O estudante cursa o primeiro ano do ensino médio e confessa que, a princípio, o anúncio da suspensão das aulas deixou os alunos apreensivos. “Ficamos meio assustados de início, porque não sabíamos como funcionaria à distância. Mas o colégio nos ofereceu uma boa estrutura com aulas on-line, que os professores gravam de suas casas, e fica disponível no site”, explica. No caso de dúvidas, a escola criou um e-mail especial que serve como um canal entre os estudantes e os professores. “Tem funcionado bem”, avalia.

Sobre a rotina de estudos, Victor conta que não estava acostumado a fazer as atividades escolares em casa. “No colégio, as aulas são no período da manhã, até às 12h40. Depois do almoço, costumo ir para a sala de estudos fazer as tarefas, revisar os conteúdos e estudar para as olimpíadas de matemática e física que eu participo. Fico por lá até por volta das 19 horas”, diz. Como a escola oferece essa estrutura, ele preferiria aproveitar.

A nova realidade, porém, surpreendeu o estudante. “Me dou bem estudando sozinho; então, já estou bem adaptado. Acho que estou até rendendo mais aqui em casa”, confessa. Para não perder o ritmo, ele começa a rotina no mesmo horário que se iniciariam as aulas presenciais. “Só que agora inverteu: de manhã reviso os conteúdos e faço as tarefas e, na parte da tarde, assisto às aulas on-line”. Com os horários bem organizados, ele percebe que seu tempo está bem aproveitado.

Mas até o mais organizado dos estudantes tem de se acostumar com a rotina da casa e das pessoas com quem convive. “A gente quer tentar manter a disciplina, mas você está no ambiente da sua casa. Alguma coisa acontece, ou sua mãe te chama e a concentração se quebra”, diz. Por outro lado, revela que o conforto e a segurança de se estar em casa no momento atual também têm ajudado.

Mesmo que tenha confessado que seu rendimento é melhor estudando em casa, Victor destaca que o ambiente escolar e os colegas de classe são um bom incentivo no dia a dia. “No meu caso, que a escola possui uma boa estrutura, é fácil se organizar. E nosso grupo de amigos também ajuda, porque está sempre um incentivando o outro. Estou bem ansioso para voltar às aulas normais.”

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Compartilhando ideias

 

Ismael Cavalcante está à frente do Instituto Ser Tão Grande, instituição sem fins lucrativos que auxilia estudantes de baixa renda a conseguir bolsas de estudo. Com experiência na área há seis anos, Ismael acredita que o momento exige compartilhamento de ideias, apoio emocional, participação familiar e disciplina dos estudantes.

“Pedagogicamente, é hora de rever os métodos usados pelas escolas. Temos casos de jovens que conseguem ter um desempenho melhor estudando em casa, por exemplo”, explica. “É uma soma de fatores: são estudantes que têm direcionamento em casa, já possuem um bom método de estudo com pesquisas na internet e que são disciplinados.” Um dos segredos, para ele, é conseguir manter uma rotina semelhante à da escola.

Formar uma rede de compartilhamento de experiências e ideias é um dos pilares para que os estudantes obtenham bons resultados, segundo Ismael. Ele também destaca o apoio emocional. “É importante diminuir a ansiedade dos jovens; são três anos de estudos, eles precisam passar no Enem. São cobranças externas e que eles mesmo se fazem também”, explica. “É preciso ampliar as visões de mundo e mostrar as mais diversas possibilidades para eles, principalmente para os alunos que não têm muito acompanhamento das escolas. São alunos com alto potencial, mas que precisam de suporte emocional”, completa.

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Saindo da monotonia

 

Inicialmente, as aulas foram suspensas por 15 dias, mas Cristal Borges conta que houve mais um adiamento do retorno por conta do agravamento da pandemia de coronavírus. A previsão é que retornem no final de abril. “A decisão da escola foi muito acertada, precisamos garantir nossa saúde acima de tudo. Mas, de início, fiquei preocupada, porque já tinha me planejado para as próximas semanas e tive de mudar tudo para estudar só em casa”, conta. O colégio está realizando aulas on-line e passando atividades e simulados por meio da plataforma que possui e criou um plantão de dúvidas.

Além das aulas obrigatórias, Cristal está acompanhando outras vídeoaulas de cursinhos que estão disponibilizando acesso gratuito. “Isso é muito bom para você rever conteúdos que não estão sendo passados agora. Aproveitei para estudar matemática básica, por exemplo”. Para ela, essa dica pode funcionar como bom reforço. “Quanto mais você reforça suas bases, melhor se sai nesse conteúdo. Na correria do dia a dia, a gente não consegue”, explica.

A rotina de Cristal virou de cabeça para baixo. “Tive de criar uma nova. Costumava passar a tarde no colégio, mas estou aproveitando agora para me dedicar a conteúdos que tenho mais dificuldade”, conta. “A parte mais difícil de ficar em casa talvez seja a agitação e apreensão em relação a esse momento”, confessa. Por isso, reservar um tempo para se divertir e se descontrair também entra no novo planejamento da estudante. “Ser produtivo é importante, mas manter a cabeça boa também.”

Com o plano de estudos ficando principalmente por conta do próprio aluno, a maneira de se abordar os conteúdos no precisa ser monótona. “Com tempo mais livre, dá para estudar de maneira mais divertida. Podemos, por exemplo, assistir a um filme que ajuda a contextualizar o assunto”, recomenda.

Outra dica de Cristal é para quem não conseguiu organizar os estudos na nova rotina. “Fazer uma relação dos conteúdos que se tem mais dificuldade, para se dedicar mais a eles. A partir disso, criar compromissos: terça, estudo geografia; quarta, história”. As vídeoaulas ajudam a sanar eventuais dúvidas. O importante é criar opções para se manter ativo e positivo.

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